Instituto Pensar - Márcio França debate com Tarcísio a desestatização do Porto de Santos

Márcio França debate com Tarcísio a desestatização do Porto de Santos

Ministro e governador de São Paulo também abordaram experiências internacionais de modernização do Porto de Santos (Imagem: Reprodução)

O ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França (PSB), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reuniram-se pela primeira vez. O encontro, realizado no gabinete ministerial, em Brasília, serviu para o governador expor diretamente a França a defesa da desestatização do controle do Porto de Santos.

O ministro reiterou a postura contrária à ideia de privatizar a Autoridade Portuária, atribuindo tal negativa ao governo federal. Conforme a assessoria do ministério, após se confirmar a recusa em entregar o controle portuário ao setor privado, o assunto não foi adiante na reunião entre França e Freitas.

Ambos, porém, conversaram sobre experiências internacionais de modernização portuária que poderiam ser aproveitadas no Brasil. Durante a renição, foi conversado também, de passagem, ações tomadas nos dois maiores portos do mundo em movimentação de contêineres, ambos na Ásia: o de Xangai, na China, e o de Singapura.

Ao tomar posse como ministro, em 2 de janeiro, Márcio França disse que tinha como meta incluir Santos entre os dez maiores portos mundiais. Na ocasião, declarou que, "dos dez maiores portos do mundo hoje, sete estão na China. Todos eles, com autoridades portuárias públicas?.

No ano passado, conforme o catálogo Lloyd?s List One Hundred Ports 2022, referente aos cem principais portos internacionais em embarque e desembarque de contêineres, Santos constou na 41ª posição, com 4,831 milhões de TEU ? sigla, em inglês, para contêineres de 20 pés de comprimento, ou 6,10 metros. Por Xangai, passaram 47,030 milhões de TEU e, no décimo colocado atual ? Roterdã, na Holanda ?, 15,3 milhões de TEU.

Persistência na privatização do Porto de Santos

Tarcísio de Freitas tem feito campanha pela privatização da Santos Port Authority ? SPA, cuja denominação Márcio França quer reverter para o português, como ocorria até o início de 2019 ?, a despeito das negativas de França. Sobretudo, por considerar que o governo federal não é de todo resistente à ideia.

O governador estadual esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) três vezes desde o início do mandato, todas em janeiro: duas delas, nas reuniões gerais com os governadores de todo o País, e uma, em audiência particular.

Esse encontro privado entre Lula e Freitas, em 11 de janeiro, foi intermediado pelo ministro das Relações Institucionais, Rui Costa. Como sinal de que Lula pode dialogar, Costa declarou que "não há dogmas? quanto à possível desestatização, pois "o Lula quer investimento?.

França apresenta propostas de melhorias para Porto de Santos

Em paralelo às discurssões sobre a desestatização, o ministro Márcio França falou sobre as melhorias que desejar realizar e as perspectivas para o Porto de Santos. Ele elencou as prioridades no cais santista, entre elas, obra do túnel submerso que interligará Santos e Guarujá.

Segundo França, as prioridades atuais são:

  • construção do túnel submerso.
  • dragagem constante para se chegar a 17 metros de profundidade no cais santista ? que conta, atualmente, com 15 metros.
  • manutenção das vias perimetrais, já que a integração entre porto e cidade são de "extrema importância?.

"A perspectiva é que possamos abrir a concorrência esse ano. Na proposta original do governo Bolsonaro, a obra do túnel iria começar só daqui a sete anos. Em sete anos, a obra já estará pronta ?de velha?, não só a questão do túnel, mas também a do aeroporto de Guarujá?, afirma o ministro.

França ainda afirmou que aprova a ideia da construção do túnel ser custeada pelo governo do estado e do governo federal. Porém, discorda de que o porto precise ser vendido para que essa obra aconteça.



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